O piauiense Ronaldo Silva, 35 anos, natural de Pedro II, está atuando na Guerra Russo-Ucraniana e trouxe relatos impactantes sobre a realidade extrema do conflito, no qual afirma que “todo dia morre muita gente aqui”.
Motivado pelo contato com ucranianos durante os dois anos em que trabalhou em navios de cruzeiro, Ronaldo decidiu se alistar para integrar as forças ucranianas em defesa do país, que enfrenta a invasão russa iniciada em 24 de fevereiro de 2022.
A primeira tentativa de chegar à Ucrânia ocorreu há cerca de dois meses, mas ele foi deportado durante uma escala em Londres. Após dias de negociação e com o apoio de uma brigada que custeou sua viagem, Ronaldo conseguiu retornar e seguir para a zona de combate.
Após mais de 20 dias de exames e checagens de segurança, incluindo verificação pela Interpol, o piauiense foi integrado a um batalhão de forças especiais. Com apenas cinco dias de treinamento, já foi enviado à sua primeira missão, em 15 de dezembro do ano passado, período em que um dos seus companheiros acabou ferido por bala na perna e precisou ser hospitalizado.
Ronaldo descreve um cenário de tensão constante, com risco de ataques de drones, minas terrestres e ofensivas noturnas com visão infravermelha. Segundo ele, seis dias em missão parecem uma eternidade, tamanha a pressão e o desgaste físico e emocional enfrentados pelos combatentes.
A experiência de Ronaldo Silva, vindo de um pequeno município do Piauí como Pedro II, expõe a dureza e os riscos de uma guerra que já se estende por mais de três anos, transformando vidas e destinos em um dos conflitos mais sangrentos da Europa no século XXI.
