Em um fusca, pai e filho viajam de Santa Catarina ao Ceará para ver fósseis de dinossauros


Fotos: Reprodução/ Redes Sociais


O médico Marcelo Gonçalves, de 54 anos, saiu da cidade de Joinville, em Santa Catarina, ao lado do filho Marcelo Júnior, de 15 anos, em um fusca com destino ao Ceará. Eles viajaram 3.680 quilômetros para a região do Cariri para realizar o sonho de ver fósseis de dinossauros.

A viagem teve início no dia 13 de julho deste ano, e os dois chegaram em terras cearenses na última quinta-feira, 20. A ideia foi do médico, que sugeriu o passeio após encontrar o filho fazendo uma pesquisa escolar sobre os dinossauros da Bacia do Araripe.

Em entrevista ao O POVO, o pai contou que o jovem, que está no nono ano do ensino fundamental, sempre foi apaixonado pela área da paleontologia e que, por isso, convidou o filho para a viagem.

"Confesso que eu nem conhecia e não sabia exatamente onde ficava a Bacia do Araripe. Ele disse que ficava no Ceará, e aí eu fiz uma proposta para ele. Eu falei 'vamos ver isso de perto e vamos no nosso fusca'. E ele topou. O meu filho, desde muito pequeno, sempre escolhia dinossauros nas lojas e ele sempre estava brincando com dinossauros e isso foi cada vez mais aguçando a pesquisa dele", explicou.

Após a decisão, os dois iniciaram as pesquisas e o planejamento para a viagem. Marcelo conta que analisou o que poderia ser melhorado no fusca, fez uma revisão no carro e plotou adesivos e frases no veículo, como o slogan "Viagem pai e filho". Os dois também fizeram uma réplica de um pterossauro, que pintaram com as cores do pássaro soldadinho-do-Araripe e colocaram na parte superior do carro.

Sobre a escolha de fazer todo o trajeto no "fusquinha" que está há mais de 20 anos na família, o médico destacou que, ao mesmo tempo em que queria realizar o sonho do adolescente, sugeriu a viagem com o objetivo de estreitar a relação entre pai e filho.

"Eu vi que seria uma grande ideia a gente fazer essa viagem juntos, porque ele tem interesse nos dinossauros e o meu interesse era aumentar o vínculo e deixar de herança para ele uma história de viagem. A gente vive junto, mas convive pouco. São oito, dez horas enquanto está viajando de ombro a ombro, lado a lado [...] fica uma relação de proximidade, de cumplicidade muito intensa", pontuou.

Marcelo, que atua em serviços de atenção básica de saúde, também conta que percebeu um aumento nos transtornos de saúde mental e destacou que, parte das doenças, podem se originar no processo de relação com a família.

"Eu notei que os transtornos de saúde mental aumentaram muito e, com a minha experiência de profissão, eu vejo que, talvez, muitas das doenças mentais se originam no processo de relação familiar. A gente sabe que uma boa relação familiar gera um bom crédito emocional para o futuro e o tempo que eu passar com ele é a herança que eu vou deixar', completou.

Durante o trajeto de mais de três mil quilômetros, os dois puderam conhecer outros lugares do País antes de chegar no Cariri cearense, como Mogi Guaçu, em São Paulo, Belo Horizonte, em Minas Gerais e Porto Seguro e Euclides da Cunha, na Bahia.

Os dois chegaram na região nessa quinta-feira, 20, e contam que ficaram felizes com a recepção e acolhimento da população local. O pai afirmou que Marcelinho ficou emocionado ao ver um dos fósseis que só havia observado pela internet.

"A nossa experiência com a população tem sido maravilhosa. A gente está cada vez mais surpreso. O pessoal do Geopark Araripe percebeu no meu filho essa ânsia e esse amor pela paleontologia e nos receberam maravilhosamente bem, deram muito acesso pro meu filho. Temos um guia que está nos acompanhando durante a semana e nós ficamos surpreendidos com a maneira como nós estamos sendo recebidos aqui na na região. Não tem palavras", disse.

Marcelo e Marcelinho também receberam um convite do reitor da Universidade Regional do Cariri e do diretor do Museu da Paleontologia Plácido Cidade Nuvens para participar da abertura da exposição "Ubirajara pertence ao Brasil", que ocorreu nessa sexta-feira, 21. O evento marcou o retorno do fóssil do dinossauro Ubirajara Jubatus ao território de origem.

Pelas redes sociais, Marcelo compartilha algumas imagens da viagem, como fotos no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri e em restaurantes locais. Pai e filho também contam com um canal do Youtube, em que divulgam registros do passeio.

O médico e o estudante planejavam retornar para Joinville neste domingo, 23, mas decidiram ficar na região até a próxima terça-feira, 25. Eles já planejam outras viagens, mas consideram algo mais próximo de onde moram, por conta do tempo e do fato de as próximas férias serem apenas em janeiro.

No geral, Marcelo detalhou que a experiência no Ceará está sendo muito boa, inclusive para o filho, que até fala em, futuramente, fazer faculdade no Cariri.

"Ele gostou muito da experiência de viajar, mas o que acabou me surpreendendo foi a fala dele sobre a vontade de fazer faculdade aqui. Se o sonho dele for ser paleontólogo, e ele disse que é, que venha morar aqui no Araripe, que vá buscar o sonho dele. Deixo essa mensagem de estímulo. Vamos investir na relação familiar e vamos apostar no que os nossos filhos sonham em fazer", finalizou.

O POVO

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