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Ciro diz que única explicação para operação contra ele é "intrusão de Bolsonaro" na PF

Registro de tela da entrevista de Ciro Gomes ao jornalista
José Luiz Datena. (Foto: Reprodução/Internet)


O ex-governador, ex-ministro e atual pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) classificou a operação da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de fraudes em obras do estádio Castelão entre os anos de 2010 e 2013, para a Copa do Mundo de futebol de 2014, como uma “aberração”. Também disse que é resultado da “intrusão” do presidente Jair Bolsonaro (PL) na PF. A declaração foi dada na manhã desta quarta-feira, 15, em entrevista ao programa “Manhã Bandeirantes”, apresentado pelo jornalista José Luiz Datena.

“Como é que um fato que acontece em 2012, uma delação que acontece em 2017, são fatos que teriam acontecido, – e que não me envolvem porque o próprio delator disse que nunca falou comigo – como é que eu sou envolvido nisso? Qual é a explicação? A não ser a intrusão do Bolsonaro na Polícia Federal que todo mundo sabe que tem acontecido no Brasil?”, questionou. “O atual diretor da PF nunca foi superintendente, está no cargo de diretor geral da PF, pela amizade íntima com os filhos bandidos do Bolsonaro”, completou o pedetista.

De acordo com Ciro, a operação seria uma “aberração” por apresentar “arbitrariedades” como, por exemplo, tê-lo arrolado como agente público à época do ocorrido. Contudo, o último cargo público exercido pelo pré-candidato teria sido de deputado federal, entre os anos de 2006 e 2010.

“O delegado me lista para o juiz como autoridade pública, mas se você for no Google, – e a obrigação do delegado não é ir no Google – que cargo eu ocupava em 2010? Que cargo eu ocupava para eu ser arrolado como agente público? Eu não ocupava cargo nenhum! Percebe a aberração, a arbitrariedade? E só a influência do Bolsonaro, a podridão do governo Bolsonaro e a tentativa dele de entrar nas instituições brasileiras é que explica isso, nada mais explica”, disparou Ciro.

O pedetista destacou que a operação e o mandado de busca e apreensão em sua residência acontecem em pleno período de pré-campanha. Contudo, o político cearense afirmou que não quer ser “acobertado”, defendendo a investigação.

“Isso é o Brasil! Eu tenho 40 anos de vida pública, nunca me envolvi em nenhum tipo de malfeito e agora isso, a essa altura da minha vida, quando eu me preparo para disputar a Presidência do Brasil, botando o dedo na ferida da roubalheira, de todos eles, denunciei a do PT, denunciei a do Bolsonaro. O Bolsonaro é ladrão, os filhos do Bolsonaro são ladrões e a estrutura toda tá acobertando e eu não quero ser acobertado, eu quero ser investigado severamente”, disse o pré-candidato.

Ciro questionou também o motivo de seu envolvimento nas investigações, uma vez que o ex-ministro alega que não esteve ligado ao Governo do Ceará no período das supostas fraudes de licitação para realizar as obras no estádio.

“O fato é absolutamente mentiroso, houvesse qualquer suspeita, os fatos têm a ver com as autoridades que governaram o Estado do Ceará. E embora fosse o meu irmão, e eu boto a mão no fogo por ele, em nada me alcança. E aí o que que acontece? Por que que me envolve? Simplesmente é uma pergunta que eu vou exigir da justiça, um delegado arbitrário, um juiz picareta, tudo a serviço do Bolsonaro, vão responder. Isso eu não tenho a menor dúvida, porque eu vou exigir esclarecimentos de todos eles”, destacou o pré-candidato.

Detalhes da operação

Conforme a Polícia Federal, as fraudes em licitações teriam ocorrido entre 2010 e 2013, anos em que o Ceará era governado por Cid Gomes, hoje senador da República, (PDT), irmão de Ciro. A operação, chamada de Colosseum, foi autorizada pela 32ª Vara da Justiça Federal do Ceará.

A PF afirma que há indícios de pagamentos de propinas em dinheiro ou disfarçadas de doações eleitorais, pagas para que uma empresa vencesse a licitação das obras da Arena Castelão. Os valores seriam transferidos com emissões de notas fiscais fraudulentas por empresas fantasmas.

Segundo Ciro Gomes, a licitação em questão “foi decidida pelo menor preço” e o dinheiro para o pagamento das faturas não vinha do tesouro do Estado, e sim do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Contudo, o político afirma que não acredita que o pagamento da propina exigida, tampouco, tenha acontecido por parte do Banco.

“O estádio Castelão, sobre o qual se fez uma delação premiada, ganhou a concorrência aquela empreiteira que fez o menor preço, esse menor preço foi o menor preço do Brasil, e o menor preço comparado com os estádios do mundo, foi feito aqui no Ceará. A ideia de que se atrasou pagamento para criar constrangimento para receber propina também não se sustenta porque as faturas eram pagas pelo BNDES, e não pelo tesouro do Estado do Ceará”, argumentou Ciro na entrevista.

O presidenciável também ressaltou que deverá entrar com as medidas cabíveis “para pedir a correção das arbitrariedades” no Conselho Nacional de Justiça, no Conselho Nacional do Ministério Público. Além disso, Ciro afirmou que entrará com representação na Comissão de Ética da Presidência da República. “Por isso eu sou inocente, vou me explicar, claro que vou sofrer um arranhão, os meus adversários vão me insultar, me agredir, mas a intenção é realmente essa, me abater para que eu seja moderado, para que eu não continue atacando aqueles ladrões, assaltantes da vida pública brasileira como é o Bolsonaro e como foi o Lula. Eu continuarei dizendo concretamente quem é ladrão, e eu não sou!”, finalizou.

O Povo

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