Cearenses pagam até R$ 25 mil para se vacinar contra a Covid-19 nos Estados Unidos


Diante do cenário de lentidão no processo de vacinação no Brasil, agências de viagens de Fortaleza ofertam pacotes para os Estados Unidos para quem busca a imunização contra a Covid-19 de forma rápida. O chamado turismo de vacina pode custar até R$ 25 mil aos bolsos do interessado. Além disso, é preciso seguir alguns critérios como ficar de quarentena por 14 dias em um país vizinho.

O empresário Eureliano Sávio está em quarentena de 14 dias no México para enfim poder entrar nos Estados Unidos e conseguir se vacinar. Ele costuma fazer o trajeto com frequência para o país norte-americano porque tem familiares no local, mas agora o objetivo da viagem vai além de uma simples visita.

"Eu chego dia 23 à noite, mas quando for dia 24 eu já tomo a primeira dose da vacina. A gente fica ansioso. Basta gripar e a gente já fica preocupado e com medo", diz.

Aplicação em dose única

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens no Ceará (Abav), Murilo Santa Cruz, após cumprir o período de isolamento em um país vizinho que tem fronteiras abertas com os Estados Unidos, como é o caso do México, o turista precisa fazer um teste de Covid-19 em até 72 horas antes do embarque. Para ele, a possibilidade de conseguir a vacina de forma gratuita faz o esforço valer a pena.

"A passagem fica um pouco mais cara que o habitual, mas com a possibilidade de testar negativo para o coronavírus e viajar até uma cidade americana e conseguir tomar a imunização em uma única dose que é a vacina da Johnson & Johnson, a Janssen", explica.

A dona de uma agência de viagens de Fortaleza, Vivian Amorim afirma que muitos turistas acabam contratando outros serviços para usufruir durante o período de quarentena no país vizinho.

"A gente vende a passagem aérea, a hospedagem, o seguro viagem, que é obrigatório. Algumas pessoas alugam carro, passeiam, aproveitam essa quarentena obrigatória para se divertir um pouco e chega nos Estados Unidos e vai procurar os pontos de vacinação dos americanos".

Para a advogada Ágatha Macêdo, o processo foi facilitado porque ela teve um filho nos Estados Unidos por isso conseguiu acesso ao país sem cumprir a quarentena. "A saúde está em primeiro lugar, eu acho que é um presente que a gente vai dar para as nossas filhas, para a nossa família e vamos usufruir desse privilégio", comenta.

A expectativa do setor é que a demanda de passageiros em busca da vacina americana facilite a abertura das fronteiras dos Estados Unidos para os brasileiros o que vai baratear o pacote e dar força ao turismo.

G1CE
Foto: Frederick J. Brown/AFP

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